19 de março de 2012

Usuários de crack no centro das atenções

Programa do governo federal aposta no incremento de estruturas para tratamento aos usuários da droga e mantém possibilidade de convênio com as polêmicas comunidades terapêuticas. Mas quais deve ser as bases para o cuidado aos usuários de drogas?

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Matéria de autoria das jornalistas Cátia Guimarães e Raquel Júnia, publica em 09/03/2012 na Revista Poli.

 Wilson Dias/ABr Nos últimos meses, o crack ocupou as páginas dos principais jornais do país, assim como as notícias das ações, algumas bastante polêmicas, realizadas pelos governantes para combater o uso da droga, como a internação compulsória de usuários do crack e as ações policiais nas chamadas ‘cracolândias’. Com os holofotes da imprensa sobre o assunto, no final de 2012, o Ministério da Saúde lançou o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, com o slogan ‘Crack, é Possível Vencer’. Bem antes do lançamento do plano, já no discurso de posse, a presidente Dilma prometeu que esta seria uma das prioridades de sua gestão. O ‘Crack, é Possível Vencer’ prevê medidas em três eixos de atuação – cuidado, autoridade e prevenção – e mantém a possibilidade de convênio com as chamadas comunidades terapêuticas, um dos pontos mais criticados do programa.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), o plano investirá R$ 4 bilhões no “enfrentamento” à droga. No eixo cuidado, está prevista a reformulação da ‘Rede Conte com a Gente’, que inclui estruturas já existentes e outras novas para atender aos usuários, como as enfermarias especializadas dentro de hospitais públicos. Também serão criadas Unidades de Acolhimento, que, segundo o MS, funcionarão como moradias temporárias nas quais os usuários de crack receberão cuidados clínicos. Além disso, serão potencializados os já existentes ‘consultórios de rua’ – equipes multiprofissionais que abordam usuários de drogas nos locais de consumo – e os Centros de Atenção Psicossocial especializados em usuários de Álcool e Drogas (Caps AD). De acordo com o Ministério da Saúde, as comunidades terapêuticas, coordenadas por entidades sem fins lucrativos, também poderão fazer parte da ‘Rede Conte com a Gente’.

O reconhecimento dessas instituições como possíveis espaços de tratamento aos usuários de crack foi o que gerou mais críticas ao plano. O papel de recuperação e cuidado que as chamadas comunidades terapêuticas e outras instituições de internação cumprem para os usuários não apenas de crack, mas também de outras drogas, é bastante controverso. Pouco antes do lançamento oficial do programa, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) entregou ao Ministério da Saúde o Relatório da 4ª Inspeção Nacional de Direitos Humanos: locais de internação para usuários de drogas contendo várias denúncias de irregularidades encontradas pelo Conselho em alguns desses espaços, como utilização de mão de obra não remunerada, preconceito por orientação sexual e religiosa, violação de privacidade, torturas psicológicas, falta de acesso a atendimento médico e à rede de educação. A Comissão de Direitos Humanos do CFP inspecionou 68 unidades em 24 estados e no Distrito Federal. O relatório foi entregue ao Ministério da Saúde e ao Ministério Público, e também apresentado na 14ª Conferência Nacional de Saúde, que aprovou uma moção de repúdio ao financiamento do governo federal à comunidades terapêuticas. Por meio de sua assessoria de imprensa, o Ministério da Saúde confirmou que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recebeu o relatório em audiência com representantes do CFP. Questionado sobre que providências foram tomadas em relação às denúncias, o Ministério reforçou que as instituições denunciadas no relatório não recebem recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) e respondeu apenas que “quem fiscaliza [as comunidades terapêuticas] são as unidades das vigilâncias sanitárias locais, de acordo com os critérios estabelecidos pela Anvisa”. Sobre os critérios para que instituições desse tipo sejam conveniadas ao SUS, a assessoria disse que “a partir do novo programa ‘Crack, é Possível Vencer’, elas terão

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que aderir ao plano por meio de projetos que precisam atender às exigências técnicas necessárias”.

O professor-pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fiocruz, Marco Aurélio Soares, explica que as chamadas comunidades terapêuticas que existem atualmente, a maior parte delas criadas por entidades religiosas, não têm nenhuma relação com o conceito original. “O que existe no Brasil nem se aproxima da ideia verdadeira de comunidades terapêuticas, que foram pensadas pelo psiquiatra inglês Maxwell Jones como espaços democráticos, onde as pessoas ficam se quiserem, participam de assembléias, etc”, observa Marco Aurélio, que também coordena na EPSJV/Fiocruz o Curso de Atualização Profissional em Atenção ao uso prejudicial de Álcool e outras Drogas, destinado a profissionais de saúde.

Drogas como uma questão de saúde pública
O coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Roberto Tykanori, explica a partir de quais diretrizes a política de enfrentamento ao crack do governo federal está sendo criada. “Como se trata hoje de um tema bastante polêmico, é fundamental, do ponto de vista ético-político, nos atermos àquilo que a Constituição nos garante. O artigo 5º é uma referência fundamental no que tange a qualquer ação na área da educação, da saúde, da justiça ou da polícia. Em situações polêmicas ou extremadas, há uma tendência a querer suprimir ou fazer vista grossa em relação à garantia dos direitos individuais”, diz. Tykanori acrescenta que do ponto de vista técnico, o Ministério fez uma projeção do tamanho do problema com o crack, embora existam poucas informações já disponíveis. “As informações que temos não são muito consistentes, então, trabalhamos com números projetados, estatísticas de outros países e dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O princípio orientador da política de crack é que as pessoas vão depender de vários tipos de abordagem dependendo da situação como se encontram, então, adequaremos a oferta à variedade de necessidades. Esse principio é o que organiza hoje a rede de atenção aos usuários de crack e outras drogas”, complementa.

O consumo de drogas no país e as conseqüências que essa prática pode trazer não são novidades, mas então, porque o crack virou o assunto do momento? “O crack de fato tem algumas características diferentes das outras drogas. É muito barato, muito portável e acessível, tem uma absorção extremamente rápida, mais rápida até do que as drogas injetáveis. É possível sentir os efeitos do crack em 7 a 10 segundos, enquanto as drogas injetáveis demoram 30 segundos para provocar algum efeito”, explica o pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Icict/Fiocruz), Francisco Inácio Bastos, que também é médico e há vários anos trabalha pesquisando o tema e atendendo usuários de drogas. “E tem outro aspecto que não tem nada a ver com a substância em si: pela primeira vez na história do país não há mais uma coincidência quase total entre cenas de uso abertas em locais públicos e as comunidades faveladas. O consumo se dá hoje em outros locais públicos que não são favelas. Isso despertou na mídia, na sociedade em geral, nos políticos, uma perplexidade que antes não existia”, analisa o pesquisador.

O médico coordena uma pesquisa sobre o perfil dos usuários e o consumo de crack em todo o país, desenvolvida pela Fiocruz e pelo Ministério da Saúde em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad). “Visitamos há pouco tempo uma cena de uso de crack e pela primeira vez nós encontramos pessoas que acamparam nesse local. Aqui pertinho da Fiocruz, encontramos barracas, refresco, refrigerente, é como se esses usuários tivessem montado uma ocupação semi-permanente. Não existia isso antes, havia cenas de droga, mas não com essas características”, fala, sobre a atual visibilidade do consumo de crack.

Francisco Inácio acredita que as políticas sobre drogas devem apostar na criação de pontes entre as comunidades e os locais de tratamento, já que uma grande dificuldade é a procura espontânea pelos serviços de saúde. “As melhores políticas no mundo inteiro, e isso não é nenhuma novidade, são as

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que estabelecem essa ponte, porque muito dificilmente conseguimos que uma pessoa que está numa cena [de consumo de drogas] saia espontaneamente para frequentar um serviço regular. Obviamente, a pessoa que usa crack de uma forma contínua se vê as voltas com vários problemas de saúde, então, acaba indo mais para as UPAS [Unidades de Pronto-Atendimento], para buscar um tratamento emergencial para problemas respiratórios, odontológicos, do que para um Caps, quando deveria ser o contrário”, observa. O pesquisador explica que, com isso, os serviços de emergência ficam sobrecarregados. “Isso não é um problema exclusivo do crack, essa distorção de demandas de saúde no Brasil é histórica. A pessoa está com gripe e não consegue marcar consulta, então vai para uma emergência. A emergência no Brasil é tampão, ela atende praticamente tudo, e o crack só veio trazer mais gente, mais demandas e mais distorção”, comenta.

Para Francisco, propostas como a dos consultórios de rua podem ser uma boa solução para estabelecer a ponte entre os usuários e os serviços de saúde adequados. De acordo com ele, um exemplo dessa ponte é a experiência do Centro de Saúde – Escola Germano Sinval Faria da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (CSEGSF/ENSP/Fiocruz), cujo fluxo de usuários de crack melhorou após a implementação de um consultório de rua e de outra unidade trabalhando em sintonia – a Clínica da Família Victor Valla (localizada no bairro de Manguinhos, no entorno da Fiocruz) – ambos com atuação nas proximidades das cenas de consumo de drogas. “Esse exemplo está mostrando que o trabalho pode funcionar bem se contarmos com equipes motivadas e bem treinadas. O que não pode acontecer é o que vinha sendo proposto antes. O cara é um agente de saúde que passou a vida toda trabalhando com saúde materno-infantil e agora passa a ter que lidar com o crack. É uma população e um recorte demográfico totalmente diferentes. Dessa forma não funciona”, alerta.

Crack e exclusão

O professor do Departamento de Saúde da Família da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Tarcísio Andrade, considera que é um equívoco abordar o uso do crack como uma questão específica, sob o risco de desvincular o problema do contexto em que está inserido. “Pensando na perspectiva sócio-econômica, nós temos inevitavelmente uma melhora das condições de vida e da renda do povo brasileiro, mas nós temos um segmento populacional, na faixa de 15 a 25 anos, ainda fora do mercado de trabalho e sem nível educacional para assumir qualquer posição nesse mercado, porque não tínhamos até então nenhuma programa voltado para essa população. O erro da política atual é não enxergar esse aspecto”, avalia.

Segundo Tarcísio, o grande contingente de usuários de crack, sobretudo homens jovens, vive uma vida sem perspectivas concretas, o que não pode ser desconsiderado. “Embora a mídia e a própria estrutura capitalista o tempo inteiro digam que tudo é possível, isso não é verdade. É como se fossem chamados para a festa e acabassem barrados no baile. Há essa falsa ideia de igualdade e essa população está excluída. É essa mesma população que constitui o maior contingente de pessoas que recorrem a práticas ilícitas para tocar a vida adiante, seja do ponto de vista subjetivo para ter visibilidade, para ser visto de alguma forma socialmente, seja do ponto de vista concreto da própria sobrevivência”, pontua.

Para o professor, outro equívoco é considerar que todos os usuários de crack têm o perfil de moradores de rua. Tarcísio trabalha há mais de 15 anos com usuários de drogas e foi um dos pioneiros no país na implementação de políticas de redução de danos. O professor coordena hoje o programa de extensão da UFBA, Aliança de Redução de Danos Fátima Cavalcanti. “A população de rua constitui a ponta do iceberg. O grande contingente que usa crack e que mais sofre com as consequências do uso de crack, não pelo viés da droga em si, mas pelo viés de ser uma prática ilícita, socialmente inaceitável, é de jovens negros, que morrem com 25 anos de idade. Essas pessoas têm casa, familiares, e vivem com um cerceamento de liberdade enorme, porque alguns bairros nas grandes cidades brasileiras são bairros divididos, sequer podem cruzar de um lado pra outro”, define. O professor conta que participou recentemente de um estudo sobre os usuários de crack no Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Macaé (RJ), cujos dados ainda estão sendo analisados. “Na realização dos grupos focais, quando perguntávamos aos usuários moradores de rua o

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que eles pensam da vida para daqui um ano, eles respondiam: ‘eu espero que eu possa ter uma casa, é muito ruim viver na rua’. Quando fizemos essa pergunta para as pessoas de bairro, vários deles disseram: ‘eu não sei o que vai acontecer comigo daqui um ano porque muitos dos meus colegas já morreram’. Então, as perspectivas são piores e eu não tenho visto políticas mais consistentes dirigidas a essa população. Precisamos de uma política pública imediata para dar suporte social a essas pessoas”, afirma.

O coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde concorda que o problema do crack é muito mais complexo. Para ele, a discussão polêmica sobre para onde devem ir os usuários de crack deve ser um debate sobre o papel dessas pessoas na sociedade. “O desenvolvimento econômico está deixando para trás uma parcela significativa de brasileiros. Então, trata-se de um problema sobre que lugar na sociedade essas pessoas estão ocupando. Esse é um enfrentamento real que nós precisamos fazer, tornar nossas ações mais amplas, e, nesse sentido, ações intersetoriais se tornarão cada vez mais importantes para viabilizar lugares melhores para esses cidadãos que estão nessa condição de muita fragilidade e vulnerabilidade. Estamos tendo isso como aprendizado nesse período de construção da política”, declara.

Além do estereótipo dos usuários de crack como moradores de rua, Francisco Inácio acrescenta que é preciso ampliar a visão sobre o perfil dos consumidores da droga. “Nem todos os usuários fazem uso continuado de crack especificamente. Eu tenho pacientes que fazem uso de crack, interrompem e passam um período usando cocaína cheirada e álcool, por exemplo. Normalmente, a imensa maioria é de poliusuários, como eles próprios se definem, X-tudo, total-flex, eles mesmos inventam essas palavras. Então, igualar não é correto”, afirma. Segundo Francisco, atualmente, há também usuários de crack de classe média, embora sejam minoria. “Obviamente, existe uma concentração de pessoas que vêm de comunidades pobres, que já têm toda uma vida complicada por várias razões, e o crack veio a ser mais um problema na vida delas. Os ricos nunca chegaram até o ambulatório e provavelmente não vão chegar, mas atendemos pessoas de classe média que falam bem, são articuladas, tiveram acesso à educação e mesmo assim estão usando crack”, descreve.

Para Marco Aurélio, outro erro é associar o crack a uma série de mazelas, como a vida na rua e a gravidez na adolescência. “Esses fatores são causa do uso do crack, não consequência. Essa população marginalizada de rua cheirava cola e agora usa crack, que diminui a fome e a depressão e mantém as pessoas acordadas, e elas muitas vezes precisam ficar acordadas porque estão expostas a perigos. No Canadá, por exemplo, existem usuários eventuais de crack, como existem de cocaína no Brasil. Aqui, os usuários de crack foram associados à criminalidade”, critica.

Consistência das políticas
Tarcísio alerta sobre a necessidade de controle dos recursos públicos e padronização dos serviços de atenção aos usuários de drogas. Segundo ele, há boas políticas, mas existe também muito desperdício

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de recursos. O professor concluiu recentemente um projeto de supervisão de 30 consultórios de rua em municípios de todos os estados do país. “Às vezes colocam todo o recurso para comprar o veículo, aí falta recurso para contratar equipe. Por outro lado, há a desconexão entre a fonte financiadora, que é o governo federal, e a utilização do recurso. Temos uma política de consultórios de rua, mas quantos estão efetivamente funcionando? Essas boas políticas precisam de um acompanhamento melhor”, destaca. De acordo com o MS, serão criados 216 novos consultórios de rua, que juntamente com os consultórios já existentes contabilizarão 308 serviços desse tipo.

Os Caps AD também serão incrementados com a nova política do Ministério da Saúde. Serão criados 41 novos Caps AD e outros 134 serão qualificados. Para Tarcísio, esse também é um serviço fundamental, embora seja necessária uma melhor definição do seu papel na rede de atenção à saúde. “É um dispositivo extremamente importante sem a menor sombra de dúvidas, mas é preciso que funcionem dentro da filosofia pela qual foram criados, como um dispositivo da atenção básica. É impossível que funcionem descontextualizados do programa de saúde da família, por exemplo. Se o Caps não está vinculado a um território, ele vira uma unidade de saúde em si mesma e ele não foi concebido dessa maneira”, alerta. Segundo Tarcísio, novamente a questão gira em torno da estruturação da atenção básica no país, da qual o bom funcionamento dos Caps e de outros serviços depende inteiramente. “E a atenção básica no país é extremamente falha, cidades como Salvador tem 15% de cobertura da atenção básica. No Rio e São Paulo, a cobertura é de menos de 25%. E outro aspecto é que originalmente a atenção básica não inclui atenção ao uso de drogas. Se tivéssemos isso dentro da atenção básica e uma atenção básica abrangente, não precisaríamos de políticas específicas. As políticas específicas escondem esse aspecto”, lamenta.

De acordo com Tykanori, todas as estruturas previstas no novo plano de enfrentamento ao crack estarão interligadas aos outros programas e ações do MS. Ele defende a existência de políticas específicas para a organização do sistema de saúde, mas garante que, na realidade, trata-se de uma única política. “A rigor é uma única rede, mas estamos chamando as dimensões específicas da rede também de redes – rede de Saúde Mental, rede Cegonha, rede de Urgência e Emergência. Se supõe, a partir disso, que o trabalho articulado e sinérgico entre diversos órgãos dá uma maior eficácia no cuidado com as pessoas. As redes não são separadas, ao contrário, é só por uma questão de lógica organizativa é que se pode olhar a rede Cegonha separadada rede de Saúde Mental, por exemplo, mas na prática elas são interligadas. Uma mulher grávida que usa crack é parte de ambas”, diz.

A secretária nacional de Políticas Sobre Drogas, Paulina Duarte, reafirma a necessidade de uma articulação maior entre os ministérios que devem tratar a questão das drogas. “Cada Ministério tem competências regimentais específicas, que limitam seu campo de atuação. Como questões relacionadas às drogas envolvem diferentes aspectos e contextos – como saúde, assistência social, educação, direitos humanos e segurança pública – todos os ministérios envolvidos com o tema precisam estar engajados para que o programa cumpra suas metas satisfatoriamente”, disse, em entrevista realizada por e-mail.

Redução de danos

 Marcello Casal Jr./ABrA atenção ao uso de drogas no país foi lentamente mudando de perspectiva. Francisco lembra que a truculência do período da ditadura no tratamento da questão foi abrindo caminho para a saúde pública. “Na ditadura não tínhamos abordagem democrática para nada e as drogas não seriam a única coisa que abordaríamos democraticamente, justamente o contrário. Essa legislação de droga extremamente repressiva foi parcialmente reformada pelo governo Fernando Henrique e depois mais profundamente no governo Lula. O Brasil hoje tem uma legislação mais ou menos moderna, embora com problemas. E nas décadas de 1980 e 1990 tivemos uma fortíssima influência das políticas para aids nas políticas de drogas. O que foi extremamente importante porque a aids ajudou as políticas de drogas a fazer uma interface maior com a saúde pública”, conta. O professor comenta que o programa de redução de danos na Bahia, coordenado por Tarcisio, na década de 1990, foi o primeiro que conseguiu se manter e impedir que os seus membros não fossem presos.

Marco Aurélio explica que pela perspectiva da redução de danos, a abstinência da droga é um fim e não o ponto de partida. Para o professor, esse deve ser o caminho perseguido pelas políticas sobre drogas, a partir de instrumentos que já vinham sendo utilizados, como os consultórios de rua. “Na perspectiva da redução de danos, a equipe do consultório de rua aborda a população tentando criar vínculo e estabelecer uma relação de confiança. Aborda primeiro a partir de outros problemas de saúde, cuidado de um ferimento, por exemplo, fornecendo alimentos. Ensina-se a pessoa a passar protetor labial e a não usar lata para não se queimar, distribui-se cachimbos e sugere-se que se substitua o crack por maconha, por exemplo. E, uma vez chegando ao problema da droga, se o usuário aceitar um acompanhamento, a equipe o encaminha para um Caps AD”. Tarcísio acrescenta que os programas de redução de danos conseguem avanços significativos na saúde dos usuários de drogas. “Dentro do uso de drogas, há um espectro imenso de pessoas,

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desde aquelas que fazem um uso compatível com outras atividades, até outras com um uso muito comprometido. Então, se uma pessoa com um uso intenso de drogas, às vezes sob grande risco, passa a ter um consumo mais protegido, ou muda para uma droga menos desfuncional do ponto de vista social, é um avanço fantástico. Se esse indivíduo dá esse passo, ele pode dar passos mais adiante, e pode, inclusive, deixar de usar drogas. Isso é diferente de se dirigir ao indivíduo exigindo abstinência, porque seguramente a maioria deles não conseguirá cumprir”, explica.

Para Tarcísio, qualquer programa sobre drogas que funcione verticalmente, na base da imposição, como uma internação compulsória, está fadado ao fracasso. “Se alguém respeita a limitação do usuário de droga e começa a construir com ele uma outra possibilidade, a chance desse indivíduo reduzir o consumo ou mesmo parar de usar a droga é muito maior do que quando se impõe. A imposição destitui o outro da capacidade de decidir sobre si mesmo. E o que nos constitui sujeitos é a capacidade de decidir minimamente sobre nossa própria vida”, ressalta.

O pesquisador lamenta que dos 250 programas de redução de danos que já existiram no Brasil, a maior parte deles, coordenados por universidades, ONGs e por alguns municípios, tenha sido desarticulada por falta de financiamento. Ele conta que o programa existente na Bahia é um dos poucos que se manteve no país e já chegou a fazer 35 mil atendimentos por ano. Tarcísio diz que o Ministério da Saúde, principal fonte financiadora dos projetos de redução de danos, começou em 2003 a transferir a responsabilidade dos programas para os estados e municípios. Na opinião dele, a decisão de transferir foi acertada, o problema estava em quem mantinha a tecnologia da redução de danos, que eram justamente as universidades, as ONGs e o governo federal, o que ocasionou a desestruturação dos programas quando eles passaram para as esferas estaduais e municipais. “Eu digo que perdemos o trem da história quando deixamos de investir maciçamente nos programas de redução de danos como vínhamos fazendo. Há publicações mostrando a economia significativa de vidas humanas e de recursos públicos que uma política de redução de danos é capaz de causar”, diz Tarcísio. No caso de Salvador, a Secretaria Municipal de Saúde financia o programa desde 2006 e, atualmente, o governo estadual da Bahia está financiando um Caps ad em um território completamente constituído, ou seja, com todos os serviços básicos. O Caps ad funciona dentro da universidade e, além de atender a população, também será um espaço de aprendizado para profissionais que trabalham com álcool e drogas.

Para Francisco Inácio, é preciso incrementar as políticas de redução de danos de forma que atendam a realidade atual. Ele aposta nas novas tecnologias como ferramentas que podem ser eficazes na prevenção. “Para essa nova geração que é ligada à internet, não dá para fazer só a prevenção tradicional de conversa um a um, claro que essa conversa também é importante, mas eu visito as comunidades e vejo que todo mundo tem celular. Porque não fazer como foi feito na época da vacinação de influenza quando enviaram um SMS dizendo que as pessoas precisavam se vacinar de acordo com a faixa etária? Provavelmente eles vão atender muito mais facilmente a uma mensagem dessas do que uma mensagem por papel”, sugere.

Embora boa parte dos programas de redução de danos tenha sido desmantelada, conforme informa Tarcísio, o coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde concorda que o conceito da redução de danos deve guiar todas as políticas de saúde no campo de álcool e drogas. “Culturalmente, o ser humano está sempre buscando interagir com substâncias que possam de alguma forma ocasionar mudanças em suas vivências. Essas tendências sempre trazem junto benefícios e malefícios. Então, não será abolida a relação do ser humano com essas substâncias. Por isso, a redução de danos é básica para lidar nesse campo. Talvez seja equivalente a um dos aforismas mais básicos da medicina – primum non nocere (em latim) -, que significa ‘antes de tudo não fazer o mal’, ou seja, antes de tudo preservar a vida e fazer com que a pessoa viva”, reforça.

Formação em álcool e drogas

“Eu sou médico, e durante meus seis anos de faculdade, não tive uma única aula que falasse sobre manejo e abuso de drogas. Como eu segui essa carreira, só fui estudar esse tema durante a residência em psiquiatria. Estou falando de médicos, mas a situação é a mesma para qualquer profissional de saúde. E o problema das drogas existe, então ele irá aparecer nas UPAS [Unidades de Pronto-Atendimento], nas emergências. Não é à toa que volta e meia morrem pessoas, inclusive artistas. E isso não ocorre apenas no Brasil”, diz Francisco Inácio. Para ele, a formação é um dos principais gargalos na atenção em álcool e drogas no país.

A Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad) reconhece que muitos cursos não têm a temática em seus currículos. Segundo a secretária Paulina Duarte, desde 2003, a Senad realiza cursos de capacitação para profissionais de diversas áreas. “Em 2011, a Secretaria promoveu 13 cursos, sendo sete a distância e seis presenciais, somando quase 88 mil profissionais capacitados. Entre eles, destaca-se o curso ‘Supera- Sistema para Detecção do Uso Abusivo e Dependência de Substâncias Psicoativas: encaminhamento, intervenção breve, reinserção social e acompanhamento’. Também em 2011, foram implantados em instituições públicas de ensino superior 49 pólos de formação permanente para capacitação presencial contínua de profissionais efetivamente atuantes nas áreas da saúde, assistência social, justiça e segurança pública, chamados Centros Regionais de Referência (CRR)”, informa.

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